Após acordo proposto pelo presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), na abertura da reunião desta quinta-feira (20), ficou acertado o adiamento da votação de requerimentos para a próxima quarta-feira (26). A comissão retomou nesta quinta-feira o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, iniciado na quarta (19).
Entre os requerimentos que poderão ser votados na próxima semana, está o pedido do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), para que a CPI tenha acesso à íntegra da reunião ministerial de 22 de abril de 2020, conduzida pelo presidente Jair Bolsonaro. O vídeo da reunião foi tornado público no dia 22 de maio de 2020, após liberação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a exceção de "poucas passagens do vídeo e da respectiva gravação nas quais há referência a determinados Estados estrangeiros", segundo decisão de Celso de Mello, então ministro da Corte. Mas Renan considera importante que a CPI tenha acesso agora à fala integral do ex-chanceler Ernesto Araújo na reunião, pois entende que pode trazer elementos para as investigações.
"Essa reunião tornou-se bastante conhecida pela população, pelas várias declarações polêmicas e pouco republicanas proferidas por vários ministros. A política externa no combate à pandemia é objeto desta CPI, e existem fatos que apontam que o ex-chanceler criou indisposições com nações amigas e parceiros internacionais, as quais tiveram séria repercussão na resposta sanitária do país, notadamente na busca por vacinas e insumos indispensáveis. É relevante conhecer o conteúdo das declarações do ex-chanceler, visto que pode demonstrar intenções e posicionamentos reais do governo quanto a países amigos", argumenta Renan no requerimento.
Ernesto Araújo prestou depoimento à CPI na terça-feira (18), quando foi questionado pelos senadores sobre a atuação do Itamaraty na aquisição de vacinas, nas relações diplomáticas com a China (que produz ingrediente farmacêutico ativo usado na produção de imunizantes) e na crise do oxigênio hospitalar em Manaus, entre outros temas.
Além dos requerimentos que foram adiados, vários outros têm sido apresentados. Entre eles, estão pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e de comunicações do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, motivados por denúncias de que o ministério teria usado a pandemia como pretexto para contratar obras sem licitação.
— Iríamos votar requerimentos hoje, mas muitos são polêmicos e o melhor é reservar uma sessão exclusiva para votá-los, porque certamente serão objeto de muitas discussões. Se fôssemos votar hoje ou na terça-feira [25], quando deveremos ouvir a médica Mayra Pinheiro [assessora do Ministério da Saúde], tomaríamos muito tempo e atrasaríamos estes depoimentos — esclareceu Aziz.
A CPI também pode aprovar na quarta-feira convites ao gerente da White Martins no Brasil, Christiano Cruz, e também ao diretor comercial da empresa, Paulo Barauna, para que prestem depoimentos.
O autor dos pedidos, Eduardo Braga (MDB-AM), lembra que, em depoimento prestado ao Ministério Público, Cruz relatou que a White Martins, empresa fornecedora de oxigênio ao Amazonas, só conseguiu se reunir com integrantes do Ministério da Saúde para relatar pessoalmente o grave problema na disponibilidade de oxigênio às vésperas do colapso.
O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) também requer ao Ministério da Saúde o detalhamento da estratégia adotada na contenção da disseminação da variante P1, surgida em Manaus.
A CPI também deverá requerer ao Ministério da Saúde informações sobre todos os serviços prestados e produtos adquiridos na área de comunicação, publicidade e marketing desde o início da pandemia. O autor do pedido, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), quer detalhes de todos os pagamentos realizados por CNPJ contratado via agências de publicidade, com a cópia da nota fiscal e a comprovação da execução dos serviços prestados; quais critérios foram usados na distribuição da verba publicitária; a relação dos fornecedores que atendem produtos em plataformas digitais e os valores pagos, com a comprovação da execução dos serviços; e a discriminação dos critérios usados para direcionamento da publicidade e os destinatários finais no serviço do Google AdServices ou semelhantes.
No requerimento, Randolfe lembra que a CPI também tem a obrigação de investigar possíveis irregularidades em contratos, fraudes em licitações, superfaturamentos, desvio de recursos públicos e assinatura de contratos com empresas de fachada.
Também a pedido de Randolfe, a CPI deve aprovar na quarta-feira requerimentos de informações ao Ministério da Saúde e ao Instituto Butantan, sobre todos os protocolos de intenção de compra da vacina CoronaVac pelo Ministério da Saúde.
No detalhamento, deve constar a íntegra dos protocolos, e-mails, reuniões, pareceres etc.
A CPI também pode aprovar a convocação do empresário Carlos Wizard. No requerimento, Alessandro Vieira lembra que Wizard pode esclarecer detalhes de um suposto "ministério paralelo da saúde", responsável pelo aconselhamento extraoficial do governo, "incluindo a sugestão da utilização de medicamentos sem eficácia comprovada e o apoio a teorias como a imunidade de rebanho".
Na quarta-feira (19), durante depoimento à CPI, o ex-ministro Eduardo Pazuello confirmou ter sido aconselhado por Wizard e disse que chegou a oferecer-lhe um cargo no ministério, recusado pelo empresário. Também em depoimento à CPI, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que uma de suas divergências foi a existência desse "gabinete paralelo".
Na reunião prevista para quarta-feira, a CPI também deve avaliar convites aos cientistas Natalia Pasternak e Átila Iamarino para falarem à CPI.
Senado Federal CDH aprova indicação para que CCJ crie grupo de reforma do Judiciário
Senado Federal Eleições: prazo para troca de candidatos se encerrou na segunda
Senado Federal Livraria do Senado vende mais de 20 mil livros na Bienal de São Paulo
Senado Federal Sem votação no Congresso, MP dos mototaxistas perde validade
Senado Federal Lei facilita financiamento para renovação de veículos de profissionais de transporte
Senado Federal Pesquisa apresentada em Conselho aponta alta taxa de depressão entre jornalistas